domingo, 28 de junho de 2015

A faixa

O sinal verde para os pedestres.
Dez segundos para atravessar a rua.
Caminho tranquilamente, enquanto as motos urram em acintosa intimidação.
Despreocupada, enquanto ando, admiro a paisagem de concreto, aço e fumaça.
E, não mais que de repente, sinto-me arrastada pelo braço por um marmanjo malcheiroso.
— Assim, vovó, vai morrer atropelada.
Quase destronco meu frágil tornozelo de sessenta e nove anos ao ser conduzida até a calçada.
— Não tenho filhos, meu rapaz — falo, mal-humorada. — Consequentemente, não posso ter netos.
Ele sorri.
— E, da próxima vez — digo-lhe, — espere que lhe peçam ajuda antes de puxar alguém assim pelo braço.
— Velha ingrata!
— Cidadão generoso!
— Vai pro inferno!
— Depois de você!

Odete.

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