segunda-feira, 2 de maio de 2016

O casal

      Eu estava no ponto de ônibus e, enquanto esperava, batia um papo, no smartphone, com os integrantes do grupo de WhatsApp “Surubinha no quintal”.
Um casal de velhos passou por mim. A mulher olhou-me com profundo desprezo, aprendido desde o berço por mulheres da tradicional família brasileira. Ela devia estar incomodada com minha minissaia e meu batom preto.
Quando o ônibus chegou, a defensora da moral e dos bons costumes, toda protetora, fez o marido, um velho bem “detonado”, entrar antes dela. Não, não se sentia ameaçada por mim. Protegia-o porque ele era frágil.
Então comecei a pensar em como a vida é curiosa.
Na juventude, os homens são os protetores; pois o instinto sexual faz o macho proteger a fêmea, sua posse. Porém, nos relacionamentos heterossexuais duradouros, a mulher rejeita a fragilidade e passa a proteger o homem.
É que a fêmea transforma-se em mãe. 
     
Odete.