quarta-feira, 8 de junho de 2016

Me apaixonei por um coxinha

Tudo aconteceu no confronto de domingo passado.
De um lado, eu e minha turma vermelha. Do outro, ele e sua turma verde-amarela, que acha que as matas e o ouro pertencem somente a ela e esquece o sangue que foi derramado na história do Brasil.
Não sou muito adepta da terceira idade e nunca menti sobre isso. Mas ele tinha uns cabelos brancos tão revoltosos, um nariz tão grande e, além disso, suado sob o sol tropical, tirou a camisa amarela, com aquelas mãos gigantes, e fiquei louca com aqueles cabelos brancos que lhe cobriam o peito.
Eu estava com os meus cabelos encaracolados, pintados de vermelho, muito proeminentes, num estilo black power. E quem disse que brancos também não podem tê-los?
Então percebi que ele estava hipnotizado com os meus cabelos, enquanto eu desejava louca enfiar as unhas no seu peito peludo.
Acabamos em uma cama, com lençóis brancos, em paz. Pois na horizontal, como já disse alguém, todo mundo é igual. Acabam-se as rivalidades políticas e restam apenas o delírio e o prazer.

Odete.

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