domingo, 11 de dezembro de 2016

Lembranças

Tirei umas fotos na minha antiga universidade. E, inevitavelmente, vieram as lembranças.
— A ciência é humilde, Odete, a ciência é humilde.
Como se fosse um sussurro vindo do passado, ouvi claramente a voz do meu professor e amante.
Eu ali tão jovem, nua em seu gabinete, ele cinquentão e viril, apesar de um tanto melancólico.
— A religião é arrogante, Odete, a religião é arrogante.
Tudo que ele dizia, eu bebia como água necessária, líquido vital.
— A ciência erra em busca da verdade, reconhece seu erro, refaz o seu caminho e segue em frente. Mas a religião, Odete, a religião tem uma verdade que não admite questionamento.
Ele era ateu, e eu indecisa.
— Então me diga, Odete, quem é mais arrogante, um padre ou um cientista?
Eu apenas sorria, apaixonada e tola, jovem e tola.


Odete.

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