domingo, 11 de dezembro de 2016

To be or not to be, eis a questão

Estava num bar de “sapas”, e eis que encontro minha colega de quarto dos tempos da faculdade. Verónika com K e acento agudo no O. Resolvemos matar a saudade, lembrar os velhos tempos.
Depois do sexo, no apartamento dela, Verónika estava fumando um cigarro, nua e flácida, no sofá da sala, enquanto falava do tempo em que vivera nos Estados Unidos.
— Aqui, Odete, “gay” é substantivo, lá é adjetivo. Aqui, as pessoas dizem “aquele gay” ou “aquela lésbica”. Lá, “aquele homem gay” ou “aquela mulher lésbica”.
— Não tinha pensado nisso, Verónika.
— Aqui, o indivíduo se resume a uma característica, ser gay ou lésbica. Lá, ou você é homem ou é mulher, e pode ter uma característica, que é ser gay ou lésbica.
— Verdade, aqui no Brasil, gay e lésbica é como se fosse um terceiro sexo. Você é homem, mulher ou um terceiro sexo, ou seja, gay ou lésbica.
— E nem pode “estar” gay ou lésbica, ou é ou não é.
Verónika sempre foi sagaz.
— Como uma mulher lésbica e feminista, eu odeio essa visão limitada que tem o povo brasileiro — ela concluiu.
Sorri e dei uma tragada no cigarro de Verónika.


Odete.

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